terça-feira, 15 de novembro de 2011

DFTV 1ª Edição - Motorista pode ter que pagar mais de R$ 90 mil a União.


IDENTIFICAÇÃO DE DESVIOS:
TEMPO
FALANTE
OCORRÊNCIA
OBSERVAÇÃO
10’’
Apresentador
“A Advocacia Geral da União e o INSS....”
No início da frase o apresentador não fala a sigla da AGU, ele prefere citar o nome por extenso ao contrário do INSS. No caso do INSS a maioria das pessoas sabem o significado da sigla, já com a AGU isso não acontece.


DFTV 1ª Edição - Redação Móvel entra na campanha de combate à dengue.


IDENTIFICAÇÃO DE DESVIOS:
TEMPO
FALANTE
OCORRÊNCIA
OBSERVAÇÃO
33’’
Repórter
 “...bastou ela melhorar pra neta também cair doente...”
O repórter utiliza a preposição “para” de forma reduzida, muito comum entre jovens e falantes menos prestigiados. Utiliza-se também da expressão “cair doente” usada como figura de linguagem de senso comum, que designa um mal ou doença que acomete a pessoa.



DFTV 1ª Edição - Teslespectadores registram alagamentos no DF.


IDENTIFICAÇÃO DE DESVIOS:
TEMPO
FALANTE
OCORRÊNCIA
OBSERVAÇÃO
03’03’’
Apresentador
“...todos os anos dá inundação……”
Foi identificado na fala do apresentador um solecismo, ele deveria ter utilizado a conjugação do verbo haver, em substituição à conjugação do verbo dar, para reforçar a idéia de que a inundação é um fato recorrente.



DFTV 1ª Edição - Falta de energia após chuva no DF.


IDENTIFICAÇÃO DE DESVIOS: 
TEMPO
FALANTE
OCORRÊNCIA
OBSERVAÇÃO
1´18´´
Repórter
”o processo que pode não ser rápido e nem é garantia de receber o pagamento.”
“nem” é uma conjunção aditiva, o “e” também é uma conjunção aditiva. Portanto deve ser empregada apenas uma delas em uma oração coordenada aditiva.

               

domingo, 13 de novembro de 2011

RECURSOS DE ESTILOS


A palavra Estilo tem uma origem modesta. Designava em Latim – stillus – um instrumento pontiagudo usado pelos antigos para escrever sobre tabuas enceradas e daí passou a designar a própria escrita e o modo de escreve. Assim sendo, o estilo é um fenômeno humano de grande complexidade. É a resultante linguística de uma conjunção de fatores múltiplos.

Vejamos alguns recursos estilísticos utilizados na língua portuguesa:

NÍVEL FÔNICO

ALITERAÇÃO – Processo que consiste na repetição intencional dos mesmos sons consonânticos.
ASSONÂNCIA – Processo que consiste na repetição intencional dos mesmos sons vocálicos.
RIMA – Processo que consiste na correspondência de sons em lugares determinados dos versos.
ONOMATOPEIA – Consiste na imitação da voz (de pessoa ou animal) ou do ruído de um objeto.

NÍVEL SINTÁTICO

ASSÍNDETO  – Consiste na supressão dos elementos de ligação entre palavras ou frases sucessivas ,com frequência, aparece suprimida a conjunção copulativa e.
ELIPSE – Consiste na omissão de uma palavra ou palavras (ou até de uma frase) que se subentende(m) com maior ou menor facilidade. É frequente na linguagem falada.
POLISSÍNDETO – Consiste na repetição dos elementos de ligação entre palavras ou frases coordenadas.
ANÁFORA – Consiste na repetição de uma palavra ou palavras no início de versos ou frases sucessivas.
EPÍFORA ou EPÍSTROFE – Consiste na repetição de uma palavra ou palavras no fim de versos ou frases sucessivas.
EPANADIPLOSE – Consiste na repetição de uma palavra ou palavras no início e no fim de uma frase ou de um verso.
EPIZEUXE ou REDUPLICAÇÃO – Consiste na repetição imediata de uma palavra ou palavras no verso ou frase.
PARALELISMO – Consiste na repetição da mesma estrutura frásica.
ENUMERAÇÃO – Consiste na apresentação sucessiva de vários elementos. O último, ou o primeiro, pode ser uma palavra que sintetiza a todos.
GRADAÇÃO – Consiste na apresentação de vário elementos seguindo uma ordem crescente ou decrescente.
PLEONASMO – Consiste no emprego de uma palavra ou palavras que reforçam uma ideia que já está expressa.
ANACOLUTO – Consiste num desvia na construção da frase, por ser mudada a concordância inicial.
HIPÉRBATO ou INVERSÃO – Consiste na alteração da ordem direta das palavras na frase.
QUIASMO – Consiste na existência de quatro elementos dispostos dois a dois, seguindo uma estrutura cruzada.

NÍVEL SEMÂNTICO

COMPARAÇÃO – Consiste em estabelecer uma relação de semelhança atravéz de uma palavra ou expressão comparativa ou de verbos a que ela equivalentes (parecer, lembrar, sugerir, etc.).
METÁFORA – É uma espécie de comparação abreviada, pois deu-se o desaparecimento da palavra ou expressão comparativa. Existe assim um certo efeito de surpresa, porque a palavra passa a ter, no contexto, um significado que vai mais além do que o que lhe é habitual.
IMAGEM – Consiste no recurso a aspectos sensoriais para, a partir daí, provocar uma forte evocação afetiva e os seus consequentes efeitos sugestivos e emocionais.
ALEGORIA – Consiste num encadeamento de comparações ou metáforas em que um conceito abstrato é corporizado, a  por assimilação a um termo metafórico concreto.
PERSONIFICAÇÃO – Consiste em atribuir características próprias de pessoas, a animais, coisas ou ideias.
ANIMISMO – Consiste em atribuir vida a seres inanimados. (Difere da personificação porque, no animismo, os seres não são elevados à categoria de pessoas.)
PERÍFRASE – Consiste em designar algué, ou alguma realidade, não pelos termos habituais, mas de um modo descritivo e , por isso, mais desenvolvido e enfático.
HIPÉRBOLE – Consiste no emprego de termos exagerados para realçar determinada realidade.
EUFEMISMO – consiste em transmitir de forma suavizada uma ideia ourealidade que é considerada violenta ou chocante.
IRONIA – Consiste em exprimir uma ideia dizendo precisamente o seu contrário.
LITOLE – Consiste numa atenuação de pensamento, para significar mais do que se diz, e sugeri-lo assim mais intensamente. A afirmação é feita através da negação do seu contrário.
ANTÍTESE – Consiste em apresentar um contraste entre duas ideias ou coisas, q qual é posto em grande evidência pela oposição das palavras que designam cada uma dessas iseias ou coisas(relação de contrários)
PARADOXO – Consiste em aplicar a uma mesma realidade termos inconciliáveis, destacando assim a sua complexidade (relação de contraditórios).
METONÍMIA ou SINÉDOQUE  – Consiste em designar uma realidade por meio de uma outra que com ela mantém uma relação objetiva.
ANTONOMÁSIA – É uma das formas mais conhecidas da sinédoque, substitui o nome próprio por uma caracteristica da pessoa.
SINESTESIA – Consiste na fusão de percepções relativas a diferentes sentidos.
HIPÁLAGE – Consite na atribuição a um objeto de uma característica que logicamente pertence a outro com o qual está relacionado.
ZEUGMA – Consiste numa construção em que um verbo ou adjetivo se sigam duas ou mais palavras que se adaptam de modo diferente a esse verbo ou adjetivo. (O zeugma é frequentemente utilizado para se obterem efeitos cómicos ou absurdos.)
APÓSTROFE ou INVOCAÇÃO – Consiste na interpretação a alguém ou a alguma coisa personificada. É frequente o recurso ao vocativo acompanhado o discurso direto.
INTERROGAÇÃO – É uma figura de estilo quando não pretende obter uma resposta, mas sim tornar mais vivo o pensamento através da expectativa que suscita.
EXCLAMAÇÃO – É uma figura de estilo quando visa dar ênfase e criar um estado mais profundamente emocionado.


***

FONTE:
Profteresa.no.sapo.pt/recursos%20de%20Estilo.pdf
BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática  Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009

APRESENTAÇÃO DO PROJETO

USOS NÃO PADRÃO NA IMPRENSA DO DF COMO RECURSO ESTILÍSTICO
(ANÁLISE DE LÍNGUA FALADA – TV)

Introdução

            A língua falada difere da língua escrita na medida em que tende a ser menos monitorada. No rádio e na televisão, a tendência é que a linguagem seja mais próxima da falada que da escrita no que se refere a aderência aos preceitos da gramática normativa. 
A hipótese inicial desta pesquisa é que alguns desvios da norma padrão da língua portuguesa podem vir a caracterizar traços de estilo dos programas noticiosos da televisão do Distrito Federal. Esses desvios seriam observados de forma repetida e consistente na linguagem utilizada por apresentadores e repórteres.

Objetivos

GERAL
Identificar o uso de desvios em relação ao padrão da gramática normativa como recursos caracterizadores do estilo da linguagem dos noticiosos da televisão do Distrito Federal.

ESPECÍFICOS


  1. Descrever os recursos estilísticos mais comuns na linguagem utilizada por apresentadores e repórteres dos programas noticiosos DFTV, da Rede Globo, e Balanço Geral, da Rede Record.
  2. Identificar os desvios em relação à norma padrão na linguagem utilizada por apresentadores e repórteres dos programas noticiosos DFTV e Balanço Geral.

Metodologia
  1. Analisaremos a linguagem do DFTV e do Balanço Geral no período de 28 de outubro a 15 de novembro de 2011 para identificar os recursos caracterizadores do estilo de cada programa.
  2. Identificaremos, nesses recursos, quais os que representam desvio em relação ao padrão da gramática normativa.
  3. Montaremos um painel exemplificativo de cada tipo de recurso estilístico identificado como desviante para cada programa.
  4. Discutiremos o nível de fuga à norma padrão como conclusão deste trabalho.

Conceitos utilizados neste trabalho


Estes conceitos, considerados como referencial teórico da pesquisa, são os que preliminarmente orientam a análise do material. Outros poderão ir sendo incorporados no decorrer do trabalho.

ESTILO: emprego individual característico dos recursos da língua.

RECURSO DE ESTILO: característica observada na linguagem individual de forma repetida e consistente; traço componente do estilo.

NORMA PADRÃO: conjunto de recomendações constantes da gramática normativa da língua portuguesa.

DESVIO DA NORMA PADRÃO: uso não abonado pelas recomendações consensuais registradas em gramáticas normativas brasileiras. Serão neste trabalho identificados como:
  • SOLECISMO: desvio de sintaxe (principalmente concordância, regência e colocação);
  • BARBARISMO: desvio quanto ao emprego de palavra (principalmente pronúncia, flexão,    significado, inexistência, formação irregular);
  • ESTRANGEIRISMO: construção alheia à língua portuguesa.